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"Estas terras são minhas. Um dia, ainda vais ficar com elas e fazer uma grande quinta", prenunciava-me com sabedoria ancestral o meu tio-avô Joaquim Aguiar, contemplando comigo do alto da estrada poeirenta a vastidão serena e soalheira da Quinta do Carrenho. Muita água correria Douro fora antes que esta intuição familiar se viesse a reflectir, mas aqueles 20 hectares de belas vinhas xistosas em Freixo de Numão, no coração do Vale do Côa, marcariam a minha vida para sempre.
E que vida esta, às sete partidas do mundo! Desde cedo que os meus compromissos profissionais me fizeram deslocar para diversos países do globo, mas o apelo do mais precioso dos néctares sempre foi forte. Voava para Lisboa aos sábados, chegava ao Freixo a correr e regressava na segunda-feira ao meu país de trabalho. Foi neste lufa-lufa de viagens que, com a ajuda inexcedível da minha mulher Fernanda, consegui reabilitar a Quinta do Carrenho, abandonada pela anterior geração. Em 2001, decidi partilhar o seu legado vitivinícola com o mundo.
Projectei uma adega dimensionada para 50 mil garrafas e, em conjunto com uma equipa de experientes engenheiros, adegueiros e enólogos, todos amigos de longa data, definimos um método rigoroso de estudo para as percentagens das diversas castas plantadas na quinta. O resultado é um vinho de rara elegância, profundamente sedutor e com inigualável tradição.
Uma tradição reflectida na marca Dona Berta, nome por que toda a gente desta zona tratava a minha mãe. Hoje, o seu espírito perdura na paixão arrebatadora que estas paisagens, estas terras e estes vinhos despertam, uma paixão que desde já o convido, caro amigo, a experimentar connosco explorando todos os cantos e encantos desta nossa casa na Internet.
Ao seu dispor,
Hernani Verdelho |